Assim como a Robin, de How I Met Your Mother, eu tenho dificuldade em saber o que estou sentindo. Às vezes, não estou sentindo nada mesmo, e esse "às vezes" é, sinceramente, muitas vezes. O que é gostar de alguém? Como a gente se sente? Por que achamos que uma determinada pessoa tem o poder de nos deixar feliz e de completar os nossos dias? Para início de conversa, eu não acredito que as pessoas nos completam. Acredito que somos completos e que, juntos de uma outra pessoa, podemos nos transbordar. Sobre o que é gostar de alguém, como sentimos... Eu não sei como identificar. Na verdade, dizem que quando gostamos ou nos apaixonamos por alguém, não sabemos mesmo definir os motivos destes sentimentos, apenas os sentimos. Porém, de novo, como a Robin e suas características (muitas das quais eu me identifico), eu não sei como eu me sinto. Será, então, que eu estou mesmo gostando de alguém? Na adolescência, a gente até que curtia um menino aqui e outro ali e eu cheguei a ter uma paixãozinha dos 13 aos 16 anos (era um menino do condomínio onde eu moro lá no Rio - lembro-me de um aniversário que fui e estava tocando "That I Would Be Good", da Alanis Morissette, e ele pediu para dançar comigo e, tonta que eu era, eu disse "não", morrendo de vergonha, e fui muito xingada depois disso, mas tudo certo... a vida seguiu). Nesta fase adulta, eu não consigo gostar de nenhum homem que não se encoraje a revelar o que sente por mim para, a partir de sua ação, começar a pensar se vale a pena, se sinto alguma coisa por ele também etc. No entanto, neste contexto que gosto de chamar de "balzaquiana", ao qual me encontro, alguma coisa tem mudado com relação a esperar do outro para, então, sentir algo por ele ou não. Mas, repito: eu não sei o que estou sentindo. Não sei como me sinto a respeito do "sentir". Penso: "Estou sendo trouxa?", mas, se eu plantar isso na minha mente, os caras que já me disseram e me dizem que gostavam e que gostam de mim e eu não sinto o mesmo por eles também são trouxas? Acontece que eu penso, particularmente, que ninguém deve ser feito de panaca nessa vida. Todos temos sentimentos (sim, eu tenho, oras...) e ninguém merece ser rebaixado ou destratado por tê-los, mas aquele receio de se expor grita no peito e nos impede de qualquer ato que possa dar a entender que queremos aquela pessoa junto a nós. Que louco tudo isso... (adoro usar reticências) Estou em um misto de cócegas na barriga, misto de "será que gosto e que quero por perto e será que também me quer e entenderia que eu não gosto de estar junto 24 horas por dia nos sete dias da semana e que sumo, de vez em quando, mas tão-somente por estar no meu mundinho dentro do meu quarto, assistindo séries, filmes e documentários? Será que eu também sou o sonho de alguém ou a vontade de alguém de ter a mim por perto nas mesmas proporções que eu sinto?" Esse "alguém" que já é específico, mas que não revelo nem mesmo ao meu próprio coraçãozinho. Como? É aquilo... o muro: eu coloco um muro tão grande e denso entre mim e o meu próprio coração que até mesmo ele me questiona sobre o que está se passando e se a pessoa é "aquela pessoa", e minhas respostas a ele são sempre as mesmas: as da negação, entretanto, com borboletas no estômago.
O fato é: eu não sei como me sinto.
O fato é: eu não sei como me sinto.
