sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Vocês conseguem reparar em como o mundo está mesquinho?

Antes de tudo, eu preciso reafirmar que não estou dando de Madre Teresa, que não sou Santa e nem tento passar a imagem de "ai, meu Deus, como ela é boazinha". Eu sou do jeito que eu sou porque acredito que compaixão e empatia são duas das chaves de uma humanidade mais amigável, e bato sempre nas mesmas teclas mesmo por acreditar, também, que, um dia, ainda serei ouvida.

Eu estou doente desde a semana passada. Começou com uma dor de garganta bem sutil na última sexta-feira (14). No sábado, tive febre e ardência no corpo e uma dor de cabeça insuportável, quando a dor de garganta piorou. Passei o meu domingo bem ruim também, porém, na segunda, após realizar um teste de Covid-19, fui para o trabalho. E segui assim, mal, cumprindo minhas responsabilidades, até quarta-feira (19). 

Na noite da ainda quarta-feira, eu comecei a sentir ardência no olho direito e senti secreção saindo dele. Pensei imediatamente em ir ao posto no dia seguinte para me consultar, uma vez que isso nunca acontecera comigo - eu sou muito ruim para ficar doente, mas quando fico... parece que a alma quer dar umas voltas e retornar uns três dias depois. 

Fui ao posto e precisei faltar ao trabalho. Fui na manhã de quinta (20), quando acordei igual ao Quasímodo (sabem o Corcunda de Notre-Dame? - era eu). Meu olho direito amanheceu inchado, fechado e cheio de secreção seca em volta. Horrível. Fui ao posto de saúde de bairro (UBS) que sempre vou quando estou com algum sintoma de Covid-19 - se peguei, sou assintomática, mas, por conta das crianças com as quais eu trabalho, eu sempre procuro o posto para fazer o exame rápido e me consultar. Das últimas vezes que eu fui, os médicos que me atenderam foram compreensivos e empáticos com o que eu estava sentindo, relatando que, mesmo que meu exame afirmasse negativo, este poderia ser um "falso negativo", escrevendo, para mim, uma declaração de ausência do trabalho, pois eu não poderia ir à escola com sintomas e estar próxima às crianças de faixa-etária que não receberam as doses da vacina.

Pois bem. Fui atendida antes das nove horas da manhã de ontem. O doutor que me atendeu já deu aquela olhada para a minha blusa de frio, onde estava escrito "PEDAGOGIA - UNIOSTE". Ele disse "Senta aí" - uma cadeira bem afastada dele, quase na porta de entrada da salinha. Perguntou o que eu fazia ali e, eu, com muita dificuldade para falar, uma vez que estou rouca e quando forço a voz doem garganta e ouvido direito e me dá falta de ar, expliquei o que estava sentindo e falei do meu olho, que era impossível não ver (!!!) que estava tenso demais. E eu relatei que trabalho com bebês e que estava preocupada com os meus sintomas. O "doutor" começou, então, a me tratar mal e porcamente. Disse que ele também atende crianças e adultos e que tem dois filhos, e que a mãe dele é professora aposentada e PSS do município e que não sabe que "lei é essa de faltar ao trabalho por sintomas de gripe". Além de começar a ignorar o que eu estava relatando, usou de ideologias na minha consulta só por eu estar com um moletom do meu curso de graduação.

A partir de então, foi só ladeira abaixo. Eu tive de ouvir que ele, como médico, teve de trabalhar e dar aulas presenciais durante a pandemia, enquanto "categorias da Unioeste" optaram por aulas remotas e ninguém aprende nada por meio remoto (alô, pessoal do EAD... de acordo com este "doutor", vocês são burros). Eu só consegui dizer: "Mas vocês são da linha de frente. A saúde é a linha de frente da pandemia", mas fui massacrada com sarcasmos de "Queria eu consultar de casa" e fazendo gestos de como quem escreve no computador. E, neste tempo, eu perguntando o que eu tinha, pois ele examinou rapidamente a minha garganta e puxou a minha orelha direita para examinar ela, mas o meu olho... ele nem sequer pediu para que eu retirasse os óculos. A resposta: NÃO SEI. VOCÊ JÁ FEZ TESTE DE COVID E DEU NEGATIVO, ENTÃO NÃO SEI O QUE VOCÊ TEM. DEVE SER VIRAL, QUE A GENTE PEGA NO AR" - e gesticulava enquanto era estúpido.

Fui questionada se eu já tivera gripe, em tom de ironia, e eu, calmamente, disse que era muito raro eu ter algo, mas que sim, já tivera, porém não do jeito que estava, principalmente sobre os olhos, e que, por isso, fui procurar o posto de saúde. E perguntei, novamente, qual era o meu diagnóstico. A resposta foi, de novo, a de que ele não sabia o que era, mas que era algo viral, mas que eu não precisava me preocupar, pois ele me daria um atestado pr'aquele dia, "porque você está dizendo que está com dor, mas não quer dizer que eu não acredite em você". Eu estava MORIBUNDA em frente ao ser. E então, disse: "E se eu estiver com os mesmos sintomas amanhã?" A REPOSTA FOI ÓTIMA: "Vá trabalhar...". E eu retruquei: "Mas e as crianças... elas são bebês!!!" A resposta: "Ah, elas não vão pegar nada. Fica tranquila". MAS O QUE EU TENHO NÃO É VIRAL, MEU PAI ETERNO?!

Mesmo antes de todo o massacre, eu já havia entendido que eu não estava sendo atendida por um médico que fez seu juramento lá, no dia de sua formação, prometendo salvar vidas. Quem me atendeu foi um ser frustrado porque teve de estar na linha de frente para combater um vírus maligno e fez isso por dinheiro, não por amor, mas por dinheiro... RECLAMANDO. E, até onde sei, Colegiados da Unioeste optaram por terem ou não aulas presenciais e/ou remotas. Eu tive meu último ano remoto. O ser não sabia nem que eu era formada já, não foi nada compreensivo e negativamente empático com a dor (literal) do outro. Ele me consultou de modo pessoal, machucado, porque meu Colegiado preferiu às aulas remotas e eu posso dizer, com todas as letras, que eu aprendi sim, que sou inteligente sim, que sei ministrar uma aula e seu conteúdo, não sendo prejudicada por aula remota etc. Eu só era uma paciente que queria ser atendida como uma e, no final das contas, foi-me receitado colírio (que não comprei, porque NÃO FUI EXAMINADA) e estou claramente com conjuntivite, amoxicilina e paracetamol (que nem entrei na questão de que não funciona comigo, senão seriam sermões de que eu não estudei Medicina e tive aulas remotas para dizer uma "barbaridade" dessas).

O mundo, meu povo, está uma bosta. Eu me calei quando percebi que não era comigo, mas com ele, o problema. Balançava a cabeça como quem diz "aham" para todas as baboseiras que ele direcionava a mim. E digo, com todas as letras, que este "doutor", que chamei de "moço" ao me retirar, não serve em nada para cuidar da vida do próximo. Uma pessoa ferida, magoada, fere e magoa outras, e eu entendi, ontem, que isto pode ocorrer com pessoas próximas ou não, mas desde que você pise na ferida, mesmo sem querer. Eu saí do posto mais mal do que quando entrei. E eu espero que ninguém precise passar por isso, jamais.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

 Na semana passada, mais precisamente na sexta-feira (07), me ocorreu um fato que me deixou bastante chateada. Estive entre duas pessoas que gosto bastante, as quais me contam sobre suas chateações diárias sobre tudo. No entanto, acabei falando pr'uma delas o que a outra disse sobre aquela situação específica, mas somente uma frase, o que gerou uma polêmica imensa. Quero ressaltar que eu sempre dizia: "ai, conversem entre vocês sobre suas chateações, porque eu gosto das duas". Para mim, era complicado estar ali, no meio, e ouvir tanto de um lado, quanto de outro. Porém, coisas mínimas, nada que destruísse quaisquer relações de amizade. Sempre enfatizei o "conversem entre vocês'. 

Por fim, gerou um mal entendido que eu saí do local chorando, mas de raiva, por estar numa situação que eu não gostaria de estar. Pedi para uma destas pessoas envolvidas que conversássemos e, assim que pude, a terceira pessoa surgiu e conversamos nós três. Expus a minha situação, pedi desculpas e a outra pessoa para quem eu falei a frase que gerou toda a confusão ainda reafirmou que eu sou segura para conversar, e também me pediu desculpas, por conta da situação.

Esta terceira pessoa disse algo que me deixou bastante pensativa: "Você, Thamiris, é uma pessoa muito boa, por isso você é ingênua quanto ao comportamento dos outros". E a outra pessoa já tinha enfatizado que está sempre me defendendo e dizendo o quanto gosta e gostam de mim. De fato, eu percebo que isso é claro nestas duas pessoas, que elas também também gostam bastante de mim. A questão é sobre a frase do eu ser uma pessoa muito boa...

Eu nunca fui de provar para os outros que o que eles falam sobre mim é verdade ou não. Sempre deixei com que pensassem o que quisessem. Importância zero. Mas parece que a minha paciência foi se esgotando para as pessoas, para o mundo, e de tanto ouvir "Você tem de falar, sim", eu comecei e também o fazia com quem dizia que era isso que eu deveria fazer, que essa deveria ser a forma como eu deveria agir. E parece que não agradou muito. Já ouvi tantas coisas e já procurei me defender de tantas outras, mas jamais com ofensas ou palavrões, que me pego pensando: "Será mesmo que eu sou uma pessoa boa?". E, ao mesmo tempo, me pergunto: "Por que estou me deixando influenciar pelo pensamento dos outros, que não são verdades sobre mim, e questionando a mim mesma sobre o que está mais que certo que sei sobre mim mesma?". O que os outros pensam sobre mim, não me diz respeito. Não tem relação comigo. É sobre eles. É problema deles. Eu não posso me deixar influenciar pelo que dizem sobre mim, muito menos me afetar sobre isso. O que falam e pensam diz mais respeito a eles do que a mim.

Então, por que ficar batendo boca e tentando mostrar/provar que eu sou, sim, uma boa pessoa? Não é mais fácil eu ficar com a minha ingenuidade, ser empática (apesar de acharem que não) e respeitar até aqueles que não me respeitam? Tenho pago na mesma moeda ultimamente. Ou uso do próprio veneno com as pessoas e elas não gostam ou ajo da mesma forma que elas, mas elas também não gostam. Isso, ao meu ver, não é defesa. É desvio de caráter. Estou desviando do que acredito para provar ao outro o que eu não preciso provar. "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", já dizia lá a canção do Legião Urbana e, para mim, essa frase se encaixa em muitas situações que me rodeiam.

Minha conclusão é a seguinte: por que me questionar se eu sou mesmo uma boa pessoa se eu sei quem eu sou, o que faço e como faço, o que falo e como falo? Eu não preciso depender do que o outro enxerga sobre mim. Se as pessoas precisam de terapia para guiarem mente e coração para bons caminhos, para uma cura, o problema é delas e elas procuram o que quiserem. Mesmo que não caiba a segundos e terceiros ouvir/ler barbaridades, esperando para se defenderem e não adiantar de absolutamente nada. Repito: já vivi situações em que não movi uma palha para mudar o pensamento do outro; tem pessoas que eu pouco me importo sobre o que vomitam; tem pessoas que estou dando importância demais e não deveria, porque já compreendi que não é sobre mim, então, não adianta explicar nada para quem enxerga somente o que quer. Bob Marley, numa frase, dizia algo parecido. Eu não tenho de me esguelar, ou correr atrás, para me explicar e nem ficar chorando, porque eu sou intensa demais - com raiva, então, choro horrores - para ouvir "Aí você chora e complica tudo". As pessoas têm problemas passados pendentes, monstros internos que as fecham numa bolha, impedindo-as de ter empatia com as outras, faltando-lhes, também, a compreensão do que está ali, não do que está vagando em suas cabeças. E eu não tenho que me importar com isso. Eu sou boa, sim, aos (meus) olhos e aos (ao meu coração) corações dos que me conhecem de verdade. Isso, só isso, tem de ser o bastante para mim.