É assim que eu me encontro: mentalmente esgotada. Vou à academia para tentar aliviar tensões e ansiedade e, por lá, permaneço por mais de duas horas por dia. Quando tenho ânimo, vou cinco vezes na semana (sete, porque terça e quinta, à noite, tenho aulas de Jump). Sério... Academia e jogos do Botafogo têm alegrado meus dias, por mais que jogos sejam apreensivos e os últimos foram empates e vitórias de virada. Quando em casa, tento pegar um livro para ler, mas eu não me concentro - e são livros que eu quero muito ler, grifar o que for interessante para mim, mas não tenho conseguido ter foco -, e também tenho feito cursos online, o que até me distrai. Outras vezes, penso em abrir o blog e escrever o que está acontecendo comigo, entretanto, repenso e desisto.
As situações têm ficado cada vez mais desgastantes para mim. Converso com os meus amigos do Rio que me dão bons conselhos e até mesmo falam o que eu já pensava em fazer, mas que eu precisava de alguém me falando, desde que não fosse a minha mente barulhenta. Está tudo muito exaustivo para mim. Ser essa pessoa que, por muitas vezes, minha mãe disse para eu não ser mais, não está dando para mim. Tento mudar, mas sou eu, é o meu caráter, a minha índole, e dou graças a Deus por ser assim, mas está cansativo levar porrada da vida, de todos os lados, e ainda ser taxada de coisas que as outras pessoas é que estão sendo e eu tento alertar, mas saio de intrometida, de maluca etc. Eu entendo, pois já aconteceu d'eu estar no lugar de quem é alertado e eu só percebi os alertas mais para frente, mas não briguei com quem buscou me ajudar. Ouvi, disse "mas não acredito nisso, não" e, por fora da situação, vi que era exatamente aquilo que tinham tentado me avisar.
Precisei estar do outro lado para entender que as pessoas envolvidas realmente não enxergam nada, só quando estão aptas a isso (mesmo assim, eu tento, e tento muito, mas canso, porque ouço muitas coisas ruins). Quantas vezes a minha mãe já pediu para eu parar de ser assim porque eu só vou me ferrando? Quantas vezes amigo meu me disse que eu deveria ser FDP porque, aparentemente, as pessoas só gostam de gente assim e que são essas pessoas (FDPs) que se dão bem na vida e com os demais? Quantas vezes minha mãe e amigos me disseram para eu deixar as pessoas se ferrarem, já que não me dão ouvidos, e que, se vierem lá na frente dizendo que eu estava certa, que é para eu "dar de ombros", porque não fui ouvida e muito menos valorizada quando quis falar/conversar? (já virei as costas e não teve volta) Quantas e quantas vezes tudo e mais um pouco eu tentei e ou fui demitida, ou fui taxada de doida, ou levei foras? Quantas e quantas vezes não me ouviram só por dizerem "mas você não gosta de fulano (a) e por isso tá falando essas coisas"? Mas se eu estou dizendo que não gosto é justamente pelos motivos e fatos que estou tentando explicar e mostrar, mas já sou abruptamente interrompida.
As pessoas ruins, aproveitadoras, sem caráter, sem educação, sem escrúpulos são as que mais se dão bem. O pior é que nas conversas em pares, grupos isso sempre é falado, mas quando não nos convém, quem tenta mostrar é o que está sempre errado. A empatia, o alerta só são válidos quando queremos aceitar e abrir nossos olhos. Se queremos passar pano, fingimos não entender de quem está sendo falado ou interrompemos o discurso, talvez por não querermos acreditar. É difícil e, de novo, a minha mãe cansa de pedir para eu parar com isso. Ela sempre manda o "Você ainda não aprendeu, Thamiris?", referindo-se ao fato de que eu sempre "tomo naquele lugar" e saio de maluca da história.
Eu não consigo, em hipótese alguma, deixar as pessoas se ferrarem. O meu espírito justiceiro tenta de tudo, todo o tipo de diálogo, mas eu já estou cansada de viver assim. Eu sou assim desde SEMPRE e quem é meu amigo, verdadeiramente, sabe disso. Eu preciso aprender a deixar as pessoas se ferrarem e se iludirem mesmo com as outras. Eu tento parar de ser observadora e de juntar provas, fatos, porque não adianta de nada, se o outro não quer dar atenção. Sinto como se eu precisasse me isolar do mundo; é como se eu tivesse de me pôr num casulo, porque o mundo não consegue ouvir o que as pessoas têm a dizer e mostrar.
Os olhos e os ouvidos só veem e ouvem o que lhes convêm e eu não quero mais ser a doida das situações, mas também não quero ser a FDP e nem que os outros se ferrem sozinhos, já tendo a mim bem distante da situação e da amizade. Eu não sei o quê fazer. Só sinto dor, tristeza, desânimo e ansiedade.