sábado, 19 de agosto de 2023

Esgotamento mental

    É assim que eu me encontro: mentalmente esgotada. Vou à academia para tentar aliviar tensões e ansiedade e, por lá, permaneço por mais de duas horas por dia. Quando tenho ânimo, vou cinco vezes na semana (sete, porque terça e quinta, à noite, tenho aulas de Jump). Sério... Academia e jogos do Botafogo têm alegrado meus dias, por mais que jogos sejam apreensivos e os últimos foram empates e vitórias de virada. Quando em casa, tento pegar um livro para ler, mas eu não me concentro - e são livros que eu quero muito ler, grifar o que for interessante para mim, mas não tenho conseguido ter foco -, e também tenho feito cursos online, o que até me distrai. Outras vezes, penso em abrir o blog e escrever o que está acontecendo comigo, entretanto, repenso e desisto. 
    As situações têm ficado cada vez mais desgastantes para mim. Converso com os meus amigos do Rio que me dão bons conselhos e até mesmo falam o que eu já pensava em fazer, mas que eu precisava de alguém me falando, desde que não fosse a minha mente barulhenta. Está tudo muito exaustivo para mim. Ser essa pessoa que, por muitas vezes, minha mãe disse para eu não ser mais, não está dando para mim. Tento mudar, mas sou eu, é o meu caráter, a minha índole, e dou graças a Deus por ser assim, mas está cansativo levar porrada da vida, de todos os lados, e ainda ser taxada de coisas que as outras pessoas é que estão sendo e eu tento alertar, mas saio de intrometida, de maluca etc. Eu entendo, pois já aconteceu d'eu estar no lugar de quem é alertado e eu só percebi os alertas mais para frente, mas não briguei com quem buscou me ajudar. Ouvi, disse "mas não acredito nisso, não" e, por fora da situação, vi que era exatamente aquilo que tinham tentado me avisar.
    Precisei estar do outro lado para entender que as pessoas envolvidas realmente não enxergam nada, só quando estão aptas a isso (mesmo assim, eu tento, e tento muito, mas canso, porque ouço muitas coisas ruins). Quantas vezes a minha mãe já pediu para eu parar de ser assim porque eu só vou me ferrando? Quantas vezes amigo meu me disse que eu deveria ser FDP porque, aparentemente, as pessoas só gostam de gente assim e que são essas pessoas (FDPs) que se dão bem na vida e com os demais? Quantas vezes minha mãe e amigos me disseram para eu deixar as pessoas se ferrarem, já que não me dão ouvidos, e que, se vierem lá na frente dizendo que eu estava certa, que é para eu "dar de ombros", porque não fui ouvida e muito menos valorizada quando quis falar/conversar? (já virei as costas e não teve volta) Quantas e quantas vezes tudo e mais um pouco eu tentei e ou fui demitida, ou fui taxada de doida, ou levei foras? Quantas e quantas vezes não me ouviram só por dizerem "mas você não gosta de fulano (a) e por isso tá falando essas coisas"? Mas se eu estou dizendo que não gosto é justamente pelos motivos e fatos que estou tentando explicar e mostrar, mas já sou abruptamente interrompida.
    As pessoas ruins, aproveitadoras, sem caráter, sem educação, sem escrúpulos são as que mais se dão bem. O pior é que nas conversas em pares, grupos isso sempre é falado, mas quando não nos convém, quem tenta mostrar é o que está sempre errado. A empatia, o alerta só são válidos quando queremos aceitar e abrir nossos olhos. Se queremos passar pano, fingimos não entender de quem está sendo falado ou interrompemos o discurso, talvez por não querermos acreditar. É difícil e, de novo, a minha mãe cansa de pedir para  eu parar com isso. Ela sempre manda o "Você ainda não aprendeu, Thamiris?", referindo-se ao fato de que eu sempre "tomo naquele lugar" e saio de maluca da história.
    Eu não consigo, em hipótese alguma, deixar as pessoas se ferrarem. O meu espírito justiceiro tenta de tudo, todo o tipo de diálogo, mas eu já estou cansada de viver assim. Eu sou assim desde SEMPRE e quem é meu amigo, verdadeiramente, sabe disso. Eu preciso aprender a deixar as pessoas se ferrarem e se iludirem mesmo com as outras. Eu tento parar de ser observadora e de juntar provas, fatos, porque não adianta de nada, se o outro não quer dar atenção. Sinto como se eu precisasse me isolar do mundo; é como se eu tivesse de me pôr num casulo, porque o mundo não consegue ouvir o que as pessoas têm a dizer e mostrar.
    Os olhos e os ouvidos só veem e ouvem o que lhes convêm e eu não quero mais ser a doida das situações, mas também não quero ser a FDP e nem que os outros se ferrem sozinhos, já tendo a mim bem distante da situação e da amizade. Eu não sei o quê fazer. Só sinto dor, tristeza, desânimo e ansiedade. 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Memória esvaindo...

    Ontem (16), enquanto eu tomava meu banho, refletia sobre as minhas próprias lembranças de infância. Enquanto pensava sobre uma possível taça do Brasileirão para o Botafogo, me veio à cabeça os meus bisavós, os meus pais e o meu avô materno. Porém, tive de me esforçar um tanto mais para recuperar memórias que eram frescas para mim e que, hoje, com quase 35 anos, percebo que vão indo embora aos poucos...
    Há a possibilidade do meu time do coração, o Glorioso, ser Campeão Brasileiro em 2023? Há, e muita. Por conta disto, vi-me na situação de correr atrás da memória de o porquê eu não ter sido Botafoguense desde a minha infância. Meu bisavô, por quem eu era agarrada (até onde eu me recordo), era Botafoguense. Sua esposa, minha bisa, com quem eu convivi até os meus prestes 15 anos, era Flamenguista (e ai da gente se xingasse o time dela). Meu avô materno era Fluminense, com poster de jornal na parede da sala e tudo e, minha mãe, torcia para o Vasco. Por quê? Eu também não sei. Já o meu pai, com quem tive uma vivência diária até 1994, ou seja, até os meus completos 06 anos, era Gremista roxo, de você não poder presentá-lo com nada que pudesse ter um detalhe da cor vermelha (referindo-se ao time rival, Internacional). E eu? Eu era Vascaína. Talvez por influência da minha mãe, com quem eu era muito apegada.
    Tornei-me Botafoguense quando fui pela primeira vez no Maracanã. O ano era 2002, eu acho, e o Botafogo perdeu de virada para o Fluminense, por 3x2. Independentemente do resultado, senti a energia da torcida e me apaixonei, pois não era uma torcedora assídua do Vasco mesmo, apesar de sempre zombar (sim, com meus 12, 13 anos) os torcedores do Flamengo no bairro onde eu passei grande parte da minha infância, brincando na rua, correndo e jogando Taco.
    Aí é que está. O bairro, Vila Lage, lá de São Gonçalo, era onde os meus bisavós moraram durante muitos anos. Não consigo pensar se houve algum outro lugar que eles tenham residido, porque as fotos mais antigas e os relatos dos mais velhos sempre são referidos àquela casa. A comemoração do meu batizado também foi naquela casa, e eu consigo ter na memória, ainda, como ela era nestes tempos. Acontece que, antes do meu bisavô falecer, em 1993, eu acho que eles já haviam se mudado de lá, isso que não me recordo já muito, mas acredito que sim. Também lembro que, antes de falecer, em 2003, exatamente 10 anos depois de Bú (um foi dia 29 de outubro e, o outro, dia 30 do mesmo mês, mas ele em 93 e, ela, 2003), Mainha morou, junto com a minha tia, em outros três prédios, sendo o penúltimo no condomínio onde eu residia (ela no bloco 02 e eu no bloco 4). A última residência dela foi no condomínio no Centro de SG no qual o meu pai também resolveu alugar um apartamento, ficando mais próximo da gente (meu pai, diz minha mãe, sempre foi muito apaixonado pelos meus bisavós, principalmente por Bú, apesar de tudo o que ele fez lá em casa, com a minha mãe, que não cabe aqui, pois tento ao máximo buscar perdoá-lo, para que siga seu caminho). 
    Destes todos que citei, somente a minha mãe está viva - graças a Deus. Então, com os e dos demais, só me resta a memória, uma fotografia para lembrar da fisionomia e, atualmente, puxar algumas recordações pela memória que, como eu disse anteriormente, percebo que já estão sendo esquecidas por mim. Nesta casa do Vila Lage, após a morte da minha bisavó (que já não morava ali faz tempo), vivia o padrasto da minha mãe, o vô Gil. Este era Flamenguista e eu também era bastante apegada a ele, o que causava ciúmes no meu avô Walter, pai da minha mãe, o tricolor. Mas, como eu passei a minha infância naquela casa do Vila Lage, estava mais próxima do vô Gil e passava todos os finais de semana por lá. Ele modificou a casa, retirando o quartinho de Santos da minha bisa, reformando o banheiro, mas mantendo um quarto com uma estante imensa cheia de livros e quinquilharias do tempo do "Êpa" (adorava, por sinal!), uma cristaleira (que já soube que se foi com uma enchente que deu) e, se eu não me engano, deixou o chão batido, como antigamente. Ah! E fez uma piscina nos fundos da casa, debaixo do jambeiro (que eu amava), que tinha um quintal enorme. Porém, a fachada da casa foi toda modificada, o que me deixava somente na memória as lembranças dos meus bisavós sentados ali, na varanda antiga, e com a gaiola de passarinho de Bú pendurada na parede. Neste momento, consigo lembrar bastante desta imagem, mas parece fotografia, sem movimento, e a lembrança me vem em cor sépia. Doido!
    Mas por que tudo isso, garota, para falar de lembranças? Porque exatamente enquanto eu tomava banho, imaginei que o meu bisavô não viu o título do Botafogo de 1995 e isso me bateu uma tristeza, mas mais ainda por eu não estar conseguindo mais lembrar de muitas situações com ele. Tive de me esforçar e puxar meus pensamentos para relembrar três momentos com ele, que são os que mais me recordava, e já estavam indo embora: quando ele me deu uma laranja para descascar porque eu teimei que queria fazer isso e, ele, todo calmo, cedeu, mas depois tivemos um dedo cheio de sangue, claro; quando ele estava fazendo brigadeiro, enrolando, para um aniversário que eu não lembro de quem, e eu enfiei o dedo no prato do chocolate e fiquei com uma bolha no dedo; num Carnaval, em que ele ficou no portão com a gente, vendo o bloquinho passar, mas tinha colocado uma piscina de plástico pra gente brincar.
    Ainda lembro de todos eles, de suas fisionomias, de momentos mais recentes. Ainda tem a vó Veleda, mas eu só não a citei porque ela não tinha time, até onde eu sei (risos) e o vô Octávio, que eu não lembro mesmo, pois ele faleceu em 1990, parece, e eu ainda faria 02 anos no final daquele ano). Mas o que me pegou foi a lembrança do antigo, do que eu sempre me exaltei por conseguir recordar e, agora, tenho de me esforçar para lembrar. Sinto como se estivesse traindo aqueles que amei demais, em vida, e amo muito ainda, nos desencarnes. Será que a gente vai mesmo deixando de vivenciar aqueles bons momentos em nossa memória? Será que é uma "lei" natural da vida? Eu gostaria de não pensar nisso, mas eu sou o tipo de pessoa que a cabeça não para nem um minuto sequer e, muitas vezes, até me embolo na fala, porque estou pensando em mil coisas ao mesmo tempo (risos). Acho que só quero, agora, poder comemorar este possível título do Botafogo e dizer: "Aí, Bú, esse título é pro senhor!". Não quero perder nenhum momento que vivi, por mais que me apareçam à mente, agora, somente como fotografias que eu não fotografei em câmeras.

"A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo". (Mário Quintana)

segunda-feira, 1 de maio de 2023

    Estou eu aqui, tentando retornar ao meu diário compartilhado, escrevendo sobre o que venho sentindo ultimamente. Pensei em escrever a respeito de como as coisas mudaram desde o dia 16 de dezembro, quando fui demitida de um local na qual eu havia me acomodado sem que me valorizassem - como já aconteceu uma outra vez. Erros se repetem na minha vida e, aparentemente, não tenho aprendido muito sobre eles. Porém, resolvi escrever sobre outra história que vem acontecendo já faz um bom tempo.
    Escrevo da minha cozinha. Resolvi que aqui é o melhor lugar para eu colocar o meu notebook, meus cadernos e livros e estojo para eu estudar o Italiano, o Francês e o Inglês e alguns cursos de Educação que venho fazendo - para eu me sentir útil durante este período. Cá estou, às 16 horas da tarde de uma segunda de feriado, ouvindo soundtrack de This Is Us (quem estiver lendo isso e quiser assistir à uma série MARAVILHOSA, recomendo - e a trilha sonora vai junto, cheia de músicas dos anos 70/80) para me empenhar nas palavras que usarei.
    Sabe, quero ser mais sucinta nas palavras, mas acredito que, tendo este blog, eu posso escrever mais do que eu quero, porque é um local meu de fala, somente meu, e quem se interessar, pode ler tudo (ou não), mas desde que a interpretação seja de acordo com as minhas próprias palavras. Há algum tempo eu venho me sentindo sozinha. Eu tenho 34 anos e não tenho expectativas de ter uma pessoa ao meu lado, mas eu penso sobre querer ter alguém que não me complete, mas que una tudo o que tem com tudo o que eu tenho. 
    O lance do amor romântico, hoje, já não me enche os olhos. Na verdade, eu não consigo enxergar se em algum período da minha vida isso me fez sentido. Quero e torço pela minha felicidade com alguém que me passe a segurança de querer estar ao meu lado e de querer que eu esteja ao lado seu, que faça questão da minha pessoa e, claro, que eu faça também. Uma relação respeitosa, de lealdade, carinhos, brincadeiras... Confiança. Meu sonho é estar com uma pessoa que me transmita a paz de saber que ela pode estar na Suíça que, independente de tudo, o respeito dela por mim me passará toda a segurança necessária para eu me sentir bem quanto a isso.
    O que eu quero dizer é que eu seria muito feliz e confiante de mim mesma sabendo que estou construindo uma vida, apesar de ter passado dos 30, com um cara que quer fazer isso acontecer, que tem a vontade de me encontrar em um fim de tarde e me contar sobre o seu dia, de me incluir nos planos dele (e isso não significa me carregar para todos os lugares que precise ir, seja a trabalho ou saindo com os amigos). Um cara que não me deixe em dúvida do que sente por mim - e não estou falando do AMOR propriamente dito, porque, de novo, isso é uma construção e carinho, admiração, orgulho, respeito e lealdade, para mim, hoje, já me demonstram amor, já me dizem "Olha, eu te amo!" e isso consegue ser evidente até mesmo através de ações. Mas eu não quero dúvidas. Eu quero enxergar a olho nu que aquilo está acontecendo. Sem brigas, insegurança, birras, ansiedade.
    Não sei quando isso vai acontecer, na verdade. Mas eu espero que seja antes dos 40... (risos), que estão logo ali. Sentir-me feliz, em paz, confiante, segura sabendo que sou só eu e ele, sem nenhuma dúvida que só há espaço para ele, quanto a mim, e para mim, quanto a ele. É uma vontade enorme, minha, construir esse caminho, essa relação. Aliás, uma boa relação em que haja o fato de assumir o que está sentindo, tanto para nós mesmos quanto um para o outro.
    O que dói, hoje, é não ter certeza de quando tudo isso acontecerá, mas estou fazendo o meu possível para que alguém, um dia, me enxergue através dos meus olhos e veja a minha alma e sinta querer construir tudo, aos poucos, comigo, e que me assuma, com receio de me perder para sempre porque não quis, num determinado momento, fazer o possível para isso acontecer. Quero ser o suficiente e vice-versa. Quero um lugar onde a única briga não seja "Onde você vai e com quem?", porque a confiança será recíproca, sem perguntas, mas sim, "O que vamos comer hoje?" e os dois fiquem "Ah, não sei... O que você quer?", até que venha a discussão e o consenso final (risos). 
    A minha hora vai chegar... e eu torço pela minha felicidade.


sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Vocês conseguem reparar em como o mundo está mesquinho?

Antes de tudo, eu preciso reafirmar que não estou dando de Madre Teresa, que não sou Santa e nem tento passar a imagem de "ai, meu Deus, como ela é boazinha". Eu sou do jeito que eu sou porque acredito que compaixão e empatia são duas das chaves de uma humanidade mais amigável, e bato sempre nas mesmas teclas mesmo por acreditar, também, que, um dia, ainda serei ouvida.

Eu estou doente desde a semana passada. Começou com uma dor de garganta bem sutil na última sexta-feira (14). No sábado, tive febre e ardência no corpo e uma dor de cabeça insuportável, quando a dor de garganta piorou. Passei o meu domingo bem ruim também, porém, na segunda, após realizar um teste de Covid-19, fui para o trabalho. E segui assim, mal, cumprindo minhas responsabilidades, até quarta-feira (19). 

Na noite da ainda quarta-feira, eu comecei a sentir ardência no olho direito e senti secreção saindo dele. Pensei imediatamente em ir ao posto no dia seguinte para me consultar, uma vez que isso nunca acontecera comigo - eu sou muito ruim para ficar doente, mas quando fico... parece que a alma quer dar umas voltas e retornar uns três dias depois. 

Fui ao posto e precisei faltar ao trabalho. Fui na manhã de quinta (20), quando acordei igual ao Quasímodo (sabem o Corcunda de Notre-Dame? - era eu). Meu olho direito amanheceu inchado, fechado e cheio de secreção seca em volta. Horrível. Fui ao posto de saúde de bairro (UBS) que sempre vou quando estou com algum sintoma de Covid-19 - se peguei, sou assintomática, mas, por conta das crianças com as quais eu trabalho, eu sempre procuro o posto para fazer o exame rápido e me consultar. Das últimas vezes que eu fui, os médicos que me atenderam foram compreensivos e empáticos com o que eu estava sentindo, relatando que, mesmo que meu exame afirmasse negativo, este poderia ser um "falso negativo", escrevendo, para mim, uma declaração de ausência do trabalho, pois eu não poderia ir à escola com sintomas e estar próxima às crianças de faixa-etária que não receberam as doses da vacina.

Pois bem. Fui atendida antes das nove horas da manhã de ontem. O doutor que me atendeu já deu aquela olhada para a minha blusa de frio, onde estava escrito "PEDAGOGIA - UNIOSTE". Ele disse "Senta aí" - uma cadeira bem afastada dele, quase na porta de entrada da salinha. Perguntou o que eu fazia ali e, eu, com muita dificuldade para falar, uma vez que estou rouca e quando forço a voz doem garganta e ouvido direito e me dá falta de ar, expliquei o que estava sentindo e falei do meu olho, que era impossível não ver (!!!) que estava tenso demais. E eu relatei que trabalho com bebês e que estava preocupada com os meus sintomas. O "doutor" começou, então, a me tratar mal e porcamente. Disse que ele também atende crianças e adultos e que tem dois filhos, e que a mãe dele é professora aposentada e PSS do município e que não sabe que "lei é essa de faltar ao trabalho por sintomas de gripe". Além de começar a ignorar o que eu estava relatando, usou de ideologias na minha consulta só por eu estar com um moletom do meu curso de graduação.

A partir de então, foi só ladeira abaixo. Eu tive de ouvir que ele, como médico, teve de trabalhar e dar aulas presenciais durante a pandemia, enquanto "categorias da Unioeste" optaram por aulas remotas e ninguém aprende nada por meio remoto (alô, pessoal do EAD... de acordo com este "doutor", vocês são burros). Eu só consegui dizer: "Mas vocês são da linha de frente. A saúde é a linha de frente da pandemia", mas fui massacrada com sarcasmos de "Queria eu consultar de casa" e fazendo gestos de como quem escreve no computador. E, neste tempo, eu perguntando o que eu tinha, pois ele examinou rapidamente a minha garganta e puxou a minha orelha direita para examinar ela, mas o meu olho... ele nem sequer pediu para que eu retirasse os óculos. A resposta: NÃO SEI. VOCÊ JÁ FEZ TESTE DE COVID E DEU NEGATIVO, ENTÃO NÃO SEI O QUE VOCÊ TEM. DEVE SER VIRAL, QUE A GENTE PEGA NO AR" - e gesticulava enquanto era estúpido.

Fui questionada se eu já tivera gripe, em tom de ironia, e eu, calmamente, disse que era muito raro eu ter algo, mas que sim, já tivera, porém não do jeito que estava, principalmente sobre os olhos, e que, por isso, fui procurar o posto de saúde. E perguntei, novamente, qual era o meu diagnóstico. A resposta foi, de novo, a de que ele não sabia o que era, mas que era algo viral, mas que eu não precisava me preocupar, pois ele me daria um atestado pr'aquele dia, "porque você está dizendo que está com dor, mas não quer dizer que eu não acredite em você". Eu estava MORIBUNDA em frente ao ser. E então, disse: "E se eu estiver com os mesmos sintomas amanhã?" A REPOSTA FOI ÓTIMA: "Vá trabalhar...". E eu retruquei: "Mas e as crianças... elas são bebês!!!" A resposta: "Ah, elas não vão pegar nada. Fica tranquila". MAS O QUE EU TENHO NÃO É VIRAL, MEU PAI ETERNO?!

Mesmo antes de todo o massacre, eu já havia entendido que eu não estava sendo atendida por um médico que fez seu juramento lá, no dia de sua formação, prometendo salvar vidas. Quem me atendeu foi um ser frustrado porque teve de estar na linha de frente para combater um vírus maligno e fez isso por dinheiro, não por amor, mas por dinheiro... RECLAMANDO. E, até onde sei, Colegiados da Unioeste optaram por terem ou não aulas presenciais e/ou remotas. Eu tive meu último ano remoto. O ser não sabia nem que eu era formada já, não foi nada compreensivo e negativamente empático com a dor (literal) do outro. Ele me consultou de modo pessoal, machucado, porque meu Colegiado preferiu às aulas remotas e eu posso dizer, com todas as letras, que eu aprendi sim, que sou inteligente sim, que sei ministrar uma aula e seu conteúdo, não sendo prejudicada por aula remota etc. Eu só era uma paciente que queria ser atendida como uma e, no final das contas, foi-me receitado colírio (que não comprei, porque NÃO FUI EXAMINADA) e estou claramente com conjuntivite, amoxicilina e paracetamol (que nem entrei na questão de que não funciona comigo, senão seriam sermões de que eu não estudei Medicina e tive aulas remotas para dizer uma "barbaridade" dessas).

O mundo, meu povo, está uma bosta. Eu me calei quando percebi que não era comigo, mas com ele, o problema. Balançava a cabeça como quem diz "aham" para todas as baboseiras que ele direcionava a mim. E digo, com todas as letras, que este "doutor", que chamei de "moço" ao me retirar, não serve em nada para cuidar da vida do próximo. Uma pessoa ferida, magoada, fere e magoa outras, e eu entendi, ontem, que isto pode ocorrer com pessoas próximas ou não, mas desde que você pise na ferida, mesmo sem querer. Eu saí do posto mais mal do que quando entrei. E eu espero que ninguém precise passar por isso, jamais.