segunda-feira, 10 de outubro de 2022

 Na semana passada, mais precisamente na sexta-feira (07), me ocorreu um fato que me deixou bastante chateada. Estive entre duas pessoas que gosto bastante, as quais me contam sobre suas chateações diárias sobre tudo. No entanto, acabei falando pr'uma delas o que a outra disse sobre aquela situação específica, mas somente uma frase, o que gerou uma polêmica imensa. Quero ressaltar que eu sempre dizia: "ai, conversem entre vocês sobre suas chateações, porque eu gosto das duas". Para mim, era complicado estar ali, no meio, e ouvir tanto de um lado, quanto de outro. Porém, coisas mínimas, nada que destruísse quaisquer relações de amizade. Sempre enfatizei o "conversem entre vocês'. 

Por fim, gerou um mal entendido que eu saí do local chorando, mas de raiva, por estar numa situação que eu não gostaria de estar. Pedi para uma destas pessoas envolvidas que conversássemos e, assim que pude, a terceira pessoa surgiu e conversamos nós três. Expus a minha situação, pedi desculpas e a outra pessoa para quem eu falei a frase que gerou toda a confusão ainda reafirmou que eu sou segura para conversar, e também me pediu desculpas, por conta da situação.

Esta terceira pessoa disse algo que me deixou bastante pensativa: "Você, Thamiris, é uma pessoa muito boa, por isso você é ingênua quanto ao comportamento dos outros". E a outra pessoa já tinha enfatizado que está sempre me defendendo e dizendo o quanto gosta e gostam de mim. De fato, eu percebo que isso é claro nestas duas pessoas, que elas também também gostam bastante de mim. A questão é sobre a frase do eu ser uma pessoa muito boa...

Eu nunca fui de provar para os outros que o que eles falam sobre mim é verdade ou não. Sempre deixei com que pensassem o que quisessem. Importância zero. Mas parece que a minha paciência foi se esgotando para as pessoas, para o mundo, e de tanto ouvir "Você tem de falar, sim", eu comecei e também o fazia com quem dizia que era isso que eu deveria fazer, que essa deveria ser a forma como eu deveria agir. E parece que não agradou muito. Já ouvi tantas coisas e já procurei me defender de tantas outras, mas jamais com ofensas ou palavrões, que me pego pensando: "Será mesmo que eu sou uma pessoa boa?". E, ao mesmo tempo, me pergunto: "Por que estou me deixando influenciar pelo pensamento dos outros, que não são verdades sobre mim, e questionando a mim mesma sobre o que está mais que certo que sei sobre mim mesma?". O que os outros pensam sobre mim, não me diz respeito. Não tem relação comigo. É sobre eles. É problema deles. Eu não posso me deixar influenciar pelo que dizem sobre mim, muito menos me afetar sobre isso. O que falam e pensam diz mais respeito a eles do que a mim.

Então, por que ficar batendo boca e tentando mostrar/provar que eu sou, sim, uma boa pessoa? Não é mais fácil eu ficar com a minha ingenuidade, ser empática (apesar de acharem que não) e respeitar até aqueles que não me respeitam? Tenho pago na mesma moeda ultimamente. Ou uso do próprio veneno com as pessoas e elas não gostam ou ajo da mesma forma que elas, mas elas também não gostam. Isso, ao meu ver, não é defesa. É desvio de caráter. Estou desviando do que acredito para provar ao outro o que eu não preciso provar. "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira", já dizia lá a canção do Legião Urbana e, para mim, essa frase se encaixa em muitas situações que me rodeiam.

Minha conclusão é a seguinte: por que me questionar se eu sou mesmo uma boa pessoa se eu sei quem eu sou, o que faço e como faço, o que falo e como falo? Eu não preciso depender do que o outro enxerga sobre mim. Se as pessoas precisam de terapia para guiarem mente e coração para bons caminhos, para uma cura, o problema é delas e elas procuram o que quiserem. Mesmo que não caiba a segundos e terceiros ouvir/ler barbaridades, esperando para se defenderem e não adiantar de absolutamente nada. Repito: já vivi situações em que não movi uma palha para mudar o pensamento do outro; tem pessoas que eu pouco me importo sobre o que vomitam; tem pessoas que estou dando importância demais e não deveria, porque já compreendi que não é sobre mim, então, não adianta explicar nada para quem enxerga somente o que quer. Bob Marley, numa frase, dizia algo parecido. Eu não tenho de me esguelar, ou correr atrás, para me explicar e nem ficar chorando, porque eu sou intensa demais - com raiva, então, choro horrores - para ouvir "Aí você chora e complica tudo". As pessoas têm problemas passados pendentes, monstros internos que as fecham numa bolha, impedindo-as de ter empatia com as outras, faltando-lhes, também, a compreensão do que está ali, não do que está vagando em suas cabeças. E eu não tenho que me importar com isso. Eu sou boa, sim, aos (meus) olhos e aos (ao meu coração) corações dos que me conhecem de verdade. Isso, só isso, tem de ser o bastante para mim.